2024

Escritas de Mulheres nas Rotas do Atlântico Negro – 2024

A proposta de Oficina de Leitura do Instituto Kadila para 2024 intitula-se Escritas de mulheres nas rotas do Atlântico Negro. Expressão criada pelo conhecido sociólogo britânico Paul Gilroy, o Atlântico Negro representa as rotas traçadas a partir do tráfico de pessoas escravizadas, em percursos que resultaram em trocas humanas, simbólicas e culturais que transcendem em muito a experiência histórica da escravidão. Ao analisar as rotas transnacionais e interculturais realizadas na modernidade a partir da diáspora dos povos africanos, Paul Gilroy criou a poderosa metáfora do Atlântico Negro: tomando a figura do navio como um dos primeiros cronotopos de modernização, encontramos, no centro de sua reflexão, o motivo da viagem e seus desdobramentos históricos. O Atlântico Negro seria, assim, o espaço imaginário de uma outra viagem, protagonizada não pelos colonizadores em suas rotas de expansão e conquista, mas uma forma de repensar a cultura viajante, a partir da experiência e das trocas culturais protagonizadas pelos subalternos.

Tomando como referência este espaço híbrido e transcultural do mar cruzado em vários sentidos, a partir das rotas da escravidão, o autor percorre seus diferentes significados, desde sua função como unidade cultural e política, elemento móvel que, ao se deslocar, ligava os espaços fixos que através dele se conectavam, até a evocação do tráfico de escravos e sua relação com os projetos de modernização. O Atlântico, nesse sentido, pode ser lido como espaço híbrido e transcultural, cruzado em vários sentidos, através dos quais se ligaram África, Europa e Américas.

No intuito de conhecer mais profundamente as vozes das mulheres que, desde muito cedo, fizeram ecoar, nos desdobramentos espaço-temporais do Atlântico Negro, as suas experiências, as dores e alegrias do seu percurso, queremos propor a leitura de escritoras africanas, afro-brasileiras, caribenhas e afro-estadunidenses, para ouvir e compreender o que disseram, seu testemunho histórico e sua criação literária.

Período: 2 de maio a 19 de setembro.

Coordenação: Ilka Boaventura Leite.

Ministrante: Simone Pereira Schmidt.

Obras trabalhadas:

Insubmissas lágrimas de mulheres, de Conceição Evaristo

Redemoinho em dia quente, de Jarid Arraes Ninguém matou Suhura, de Lília Momplé Niketche, uma história de poligamia, de Paulina Chiziane
O olho mais azul, de Toni Morrison A cor púrpura, de Alice Walker Cartas a uma negra, de Françoise Ega Eu Tituba, bruxa negra de Salém, de Maryse Condé

Fotos dos encontros em 2024: